Inclusão e tecnologia social redefinem olhar sobre a Educação Profissional

Produzir conhecimento e tecnologia, mas qual, como e para quê? A missão da rede de educação profissional e tecnológica (EPT) esteve em discussão na palestra “Novos Olhares da Educação Profissional e Tecnológica: incursões sobre a diversidade e a cidadania”, realizada na tarde de quinta-feira (28) no III Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica. O secretário executivo de Educação Profissional de Pernambuco, Paulo Dutra, atuou como mediador do debate.

“Obsolescência planejada, consumismo exacerbado, degradação ambiental. Essa é a dinâmica tecnocientífica atual. Não se enganem”, provocou o professor Renato Peixoto Dagnino, da Universidade de Campinas (Unicamp), um dos palestrantes na mesa. Segundo ele, é papel dos que trabalham com educação e tecnologia questionar o modo tradicional de pensar inovação tecnológica, que pressupõe como conhecimento útil como aquele que passa pelo mercado e pelas empresas. “O sonho da transformação da economia informal em economia formal pertence ao passado. Não vai acontecer. A inclusão social não ocorrerá pela via do emprego e do salário, e sim pela criação de oportunidades de trabalho e renda”, disse Dagnino, que estuda tecnologia social e economia solidária.

A exclusão patente de parcela da população do que a sociedade entende por mercado de trabalho também foi o mote da palestra oferecida por Leslie Campaner de Toledo, da União de Mulheres Alternativas e Resposta (Umar). “Não existe democracia nem cidadania sem as mulheres. A EPT deve estar atenta a isso”, afirmou. Ao não reconhecer o valor do trabalho doméstico, por exemplo, historicamente as sociedades excluíram as mulheres de suas grandes narrativas. “Culturalmente e para uma parte da sociedade, as mulheres nunca existiram – atividades e funções dos homens conquistaram reconhecimento social, e não a delas. Para construirmos um novo olhar sobre a questão de gênero na Educação Tecnológica, é importante reconhecer o que se passou e o que se passa no mercado de trabalho”, disse a conferencista.

A professora Silvani dos Santos Valentim, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) discutiu com o público o desafio de pautar a desigualdade, as questões raciais e de direitos humanos na educação técnica, em geral mais ligada às ciências exatas. “Gosto de falar que sou pedagoga, porque a pedagogia ocupa um papel importante no país. Trabalhamos com a problematização, lançar novos olhares à realidade e, a partir dela, teorizar e testar hipóteses de solução”, contou a professora. Em sua exposição, ela recuperou um pouco da história do movimento negro no Brasil e como ele passou a influenciar a educação brasileira. “Um de nossos desafios hoje é acompanhar o desenvolvimento dos jovens que entram pelas cotas, trabalhar para que concluam o curso e o aproveitem bem”.

Texto: Denise Galvani

Aquesta entrada ha esta publicada en ARTICLES, Imatges. Afegeix a les adreces d'interès l'enllaç permanent.

Deixa un comentari

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

Esteu comentant fent servir el compte WordPress.com. Log Out / Canvia )

Twitter picture

Esteu comentant fent servir el compte Twitter. Log Out / Canvia )

Facebook photo

Esteu comentant fent servir el compte Facebook. Log Out / Canvia )

Google+ photo

Esteu comentant fent servir el compte Google+. Log Out / Canvia )

Connecting to %s